Palestra III - Terapia Gênica hereditária: Considerações Bioéticas sobre Desigualdades, Discriminação e estigmatização  

A modificação genética é uma prática quase tão antiga quanto à própria civilização. O homem selecionava as mutações, que ocorriam ao acaso em plantas e animais, que lhe eram mais úteis ou interessantes e, por meio de cruzamento, essas características se preservaram, o que originou a diversidade nos animais domésticos e nas plantas cultivadas. A partir da década de 70, os cientistas conseguiram isolar genes específicos e transferi-los de um indivíduo para outro, dando origem aos Organismos Geneticamente Modificados. Portanto, ao invés de promover o cruzamento entre organismos relacionados para obter uma característica desejada, os cientistas podem identificar, isolar e inserir, no genoma de um determinado organismo, um único gene responsável por uma característica em particular. Desta forma, tem-se uma alteração mais precisa e previsível.  A guinada fundamental para as novas técnicas biotecnológicas foi a descoberta das enzimas de restrição, que possibilitou o Projeto Genoma Humano, que ao detectar os genes patogênicos em pessoas sem sintomas (medicina preditiva), pode permitir a produção de fármacos ou a terapia gênica. Mas também podem provocar discriminação social, aumento em relação aos seguros de vida e planos de saúde, menores chances de emprego e reações psicológicas adversas nas pessoas. As técnicas biotecnológicas abriram novas perspectivas para o século XXI nos campos da saúde, meio ambiente, industrialização de alimentos e agropecuária, embora, proporcionaram vários dilemas bioéticos. O objetivo da palestra é o de abordar os aspectos bioéticos da terapia gênica. Além de salientar que é importante a normatização da participação de indivíduos e populações em estudos genômicos, especialmente em relação ao consentimento livre e esclarecido. Como afirma o artigo 3o da Declaração Internacional sobre os Dados Genéticos Humanos (2003): 

 

cada indivíduo tem uma constituição genética característica. No entanto, não se pode reduzir a identidade de uma pessoa a características genéticas, uma vez que ela é constituída pela intervenção de complexos fatores educativos, ambientais e pessoais, bem como de relações afetivas, sociais, espirituais e culturais com outros indivíduos, e implica um elemento de liberdade. 

 

E, não podemos esquecer que nem tudo que é biotecnologicamente possível é eticamente apropriado. 

 

Esta palestra será realizada na sexta-feira, 18 de outubro de 2019 às 16h30.

Palestrante: Dra. Marlene Boccatto

Lattes: http://lattes.cnpq.br/8017000682880897

Doutorado em Biologia/Genética (1996) pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP). Mestrado em Ciências Biológicas (1987) pelo Instituto de Biociências da USP. Especialização em Bioética (2002) pela Faculdade de Medicina da USP. Especialização em Formação em Educação a Distância (2015) pela Universidade Paulista (UNIP). Graduação em Ciências Biológicas - Licenciatura (1982) e Bacharelado (1983) pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP. Graduação em Pedagogia - Licenciatura (1993) pelo Centro de Ensino Unificado Bandeirante. Formação e experiência para lecionar as disciplinas com conteúdo de bioética, biologia educacional, biossegurança, biotecnologia, citologia/biologia celular, embriologia, genética, evolução, histologia e para orientar trabalho como os de conclusão de curso (TCC) para os cursos da área da saúde e de pedagogia. Professora da Universidade Paulista (UNIP) nos cursos de Biomedicina, Ciências Biológicas, Farmácia e Fisioterapia, Professora Convidada do Curso de Mestrado e Doutorado em Bioética do Centro Universitário São Camilo . Membro do Comitê de Ética e Pesquisa do Centro Universitário São Camilo 2004/2010. Membro do Conselho Regional de Biologia de 2003/2010. Filiada a Sociedade de Bioética de São Paulo e a Sociedade de Bioética Brasileira.

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