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'Supergonorreia': novas bactérias resistentes aos antibióticos usuais


Neisseria gonorrhoeae

O que é a gonorreia?


A gonorreia é uma doença sexualmente transmissível causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. Quando contagia, a bactéria se dissemina pela corrente sanguínea, causando inflamações locais e feridas na pele e variações de corrimento nos órgãos sexuais. A transmissão também pode ocorrer oralmente, através do sexo anal ou mesmo da mãe para o bebê durante o parto. A doença infecta principalmente a região da uretra e, se não tratada, pode atingir os testículos e o epidídimo no caso dos homens e, no caso das mulheres, chegar ao útero, tubas uterinas e ovários, provocando um processo inflamatório que pode levar à infertilidade. A única contracepção é o uso do preservativo.


Em muitos casos, a doença se propaga de forma assintomática, podendo ser confundida com a secreções normais, além de impossibilitar o diagnóstico precoce o início do tratamento. As mulheres apresentam o quadro mais grave, uma vez que, além da inflamação comum à doença, pode levar a casos de complicação grave quando a mesma atinge as gônadas e útero, causando a doença inflamatória da pelve, que pode levar a vítima a óbito.


O surgimento da supergonorreia e a resistência aos antibióticos


No passado, os pacientes eram tratados contra a gonorreia com aplicações de Penicilina G Benzatina, conhecida como Benzetacil. Entretanto, a falta de rigidez no controle da venda de antibióticos possibilitava a automedicação dos pacientes, o que acabou selecionando cepas cada vez mais resistentes. Atualmente, os médicos utilizam azitromicina somada a outros antibióticos, mas dão preferência à aplicação de doses únicas assistidas para maior controle do uso desse medicamento.


Recentemente, porém, duas mulheres no Reino Unido foram infectadas com supergonorreia, voltando às discussões sobre cepas resistentes. A primeira escolha de antibióticos foi uma mistura de azitromicina e ceftriaxona, entretanto, a bactéria resistiu. Outro caso semelhante foi relatado ano passado, ainda no continente europeu, no qual os tratamentos frequentemente usados não foram suficientes para combater a infecção.


Os especialistas se preocupam, uma vez que a gonorreia é facilmente transmissível, muitas vezes assintomática, o período de incubação é curto – 24 horas – e, como ainda existem muitos tabus em relação aos relatos de DSTs aos órgãos de saúde, a doença pode se espalhar rapidamente se os pacientes não buscarem ajuda, o que pode ocorrer por medo ou vergonha.


A Organização Mundial da Saúde tem cobrado que os países monitorem a dispersão da gonorreia resistente e que invistam em novas drogas. Em março do ano passado, havia três tipos de drogas sendo produzidas, mas sem garantia de que poderiam funcionar. A OMS ainda defende que serão necessárias vacinas para interromper a dispersão da gonorreia. Desde a introdução da penicilina, a qual garantia uma cura rápida e confiável, a gonorreia desenvolveu resistência a todos os antibióticos utilizados e, nos últimos 15 anos, o método precisou ser trocado três vezes devido ao aumento das taxas de resistência no mundo.


Passos lentos no nova descoberta


Como os casos são recentes, ainda dispersos pelos países e considerados esporádicos, é preciso que muito seja feito ainda a fim de se estudar o grau de resistência, desenvolvendo uma forma de combate em grande escala caso a supergonorreia se espalhe rapidamente, levantando campanhas que desestimulem a automedicação com antibióticos e aumentando a fiscalização. E, claro, incentivar o uso de preservativos nas práticas sexuais, o que vai além da proteção contra apenas essa doença.


Referências

https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/gonorreia-blenorragia/

https://drauziovarella.uol.com.br/entrevistas-2/gonorreia-4/

https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/bbc/2019/01/13/supergonorreia-doenca-resistente-a-antibioticos-preocupa-medicos-no-reino-unido.htm

https://www.bbc.com/portuguese/geral-43584352


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