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Saúde mental e alimentação: o quanto nossos hábitos alimentares podem interferir nas nossas emoções




Saúde mental Um estudo realizado por pesquisadores das instituições norte-americanas San Diego State University, Florida State University, Lynn University e Pomona College identificou uma conexão entre mais de 90% dos casos de suicídio. Eles estão ligados a transtornos mentais como a depressão ou ao transtorno bipolar. Infelizmente, os últimos anos parecem apresentar taxas progressivamente mais altas de suicídio e de transtornos mentais - entre 2005 e 2017 as taxas de depressão cresceram 52% entre adolescentes de 12 a 17 anos, e de 2009 a 2017, 63% entre adultos de 18 a 25 anos, demonstrando um problema geracional na incidência destes transtornos. “No Brasil, identificamos que a depressão está atingindo pessoas mais jovens, cada vez mais solitárias e imediatistas. É uma geração que recorre à automutilação como forma de representar a dor”, afirma o psiquiatra Neury José Botega, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.



Alimentação Nossas emoções interferem direta e amplamente em nossa alimentação; muitos, em momentos de estresse, já se encontraram ou com uma fome intensa ou sem qualquer vontade de comer. Sendo assim, é natural traçar uma correlação entre transtornos e hábitos alimentares e a ansiedade e depressão. No entanto, o que médicos, nutricionistas, biomédicos e psiquiatras têm investigado é a relação inversa e seus resultados em nosso meio de vida, ou seja, o quanto nossos hábitos alimentares podem interferir nas nossas emoções e no nosso humor. Sabe-se que comer mal pode causar danos cerebrais por intermédio do estresse oxidativo - a liberação de radicais livres provenientes do oxigênio no corpo -, processo que ocorre naturalmente, mas que com uma dieta desequilibrada pode tornar-se intenso e consequentemente prejudicial. "Já sabemos que dietas ricas em gorduras saturadas e/ou açúcares são capazes de alterar o estado de humor tanto em animais de laboratório como em seres humanos. O consumo de alimentos gordurosos, como as típicas 'junk foods', está associado ao aumento de depressão e ansiedade", afirma Cristiano Mendes da Silva, do Laboratório de Neurociência e Nutrição da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Através de uma pesquisa com ratos adultos cujas mães ingeriram alimentos gordurosos durante o período de lactação, a nutricionista Catherine Ássuka Giriko notou uma correlação direta entre dietas gordurosas e estados depressivos ou agressivos. Outro ponto notável é a explicação da vontade repentina de ingerir açúcar através da necessidade de recompensa química que o organismo sente após situações de cansaço ou preocupação. O bem-estar é causado pela descarga de serotonina, um neurotransmissor produzido através da ingestão de açúcar e gorduras. No entanto, o prazer não é duradouro e pode ser prejudicial - glicose em excesso pode ser a causadora da ‘hipótese neuroinflamatória’ da depressão, segundo evidências neurobiológicas, a qual indica que dietas ricas em gorduras podem causar a ansiedade e depressão. Segundo o pesquisador Mendes da Silva, essa dieta desequilibrada pode comprometer o fluxo sanguíneo, fazendo com que o LDL colesterol oxide e ocasione um estado pró-inflamatório no interior de vasos sanguíneos, o que gera resposta das células de defesa que fagocitarão essas moléculas. A inflamação, por sua vez, reduzirá os níveis de serotonina, o que aumenta o risco de depressão.



O tratamento

Com o aumento dos transtornos mentais, médicos e psiquiatras indicam aos pacientes medicamentos que agem sobre os neurotransmissores, com o intuito de reequilibrar a química do cérebro, no entanto, esses tratamentos não se mostram eficazes em todos os casos.

Com o objetivo de encontrar outras formas de agir sobre neurotransmissores, o pesquisar Wolfgang Max, que trabalha no Food & Mood, centro de pesquisa multidisciplinar da Universidade Deakin, investigou polifenóis, compostos encontrados em pimentas, frutas e verduras. Eles podem agir sobre a microbiota e a saúde mental, pois, possuem nutrientes complexos auxiliadores. É de conhecimento também que carnes magras, ferro e ômega-3 também garantem a ação antioxidantes.

Débora Estadella pesquisadora na Unifesp, afirma que o consumo de peixes pode reduzir a incidência de depressão por ser um alimento que contêm o ácido graxo ômega-3. Felizmente, alguns estudos que utilizaram o ômega-3 como antidepressivo tiram resultados positivos.

Desta forma, especialistas sugerem dietas balanceadas para o auxílio da saúde mental frente ao cotidiano caótico ao qual somos expostos.




Fontes:

https://revistapesquisa.fapesp.br/2019/06/07/juventude-extraviada/

https://www.bbc.com/portuguese/geral-50593011

https://www.bbc.com/portuguese/geral-50584717

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