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Estamos vivendo uma epidemia de HPV?


De acordo com um estudo feito pelo Ministério da Saúde em conjunto com o Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, mais da metade da população brasileira, entre 16 e 25 anos, está infectada pelo vírus do HPV. A pesquisa, denominada POP-Brasil, tem como objetivo estabelecer a permanência do Papilomavírus humano no Brasil, relacionando fatores socioeconômicos, demográficos, comportamentais e regionais vinculados á ocorrência dos diferentes tipos da doença. Com isso, os cientistas esperam “fornecer subsídio para avaliação e o acompanhamento do Programa Nacional de Vacinação para o HPV”, segundo a página do hospital vinculada ao estudo. 


O método da pesquisa consiste na entrevista e avaliação da presença do vírus em 6.255 mulheres e 1.250 homens, totalizando 7.505 indivíduos, com média de 20,6 anos. Dados preliminares, relacionados á 2669 indivíduos, apontaram a presença do vírus em 54,6% destes. Além disso, constatou-se 38,4% sendo de tipos com alto risco para o desenvolvimento de câncer. Visto que alguns municípios ainda não encerraram as análises, a porcentagem pode variar até o fim do estudo. O relatório final está previsto para março de 2018. 

De acordo com a entrevista associada ao momento da coleta, concluiu-se que 84,3% dos avaliados apresentavam comportamento sexual de risco, dado que apenas 51,1% dos indivíduos declararam usar camisinha na rotina sexual enquanto apenas 41,1% afirma ter usado na última relação. Os dados obtidos são o reflexo da nossa realidade jovem: o sentimento de invencibilidade e afastamento. A crença de que conosco não ocorrerá, que “só uma vez sem não fará mal” ou de que, com base em conhecimentos empíricos onde nenhum dos conhecidos apresentou positividade para DST’s, portanto o risco “não seria tão alto quanto dizem”. 


É importante lembrar que o Papilomavírus, assim como outras DST’s, pode permanecer de forma assintomática no organismo ou causar neoplasias. De acordo com um artigo publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia os fatores de risco para infecção pelo HPV incluem, principalmente, ser mulher jovem e sexualmente ativa, o número e idade de parceiros sexuais. Interessante ressaltar que quanto maior a diferença de idade entre os parceiros, maior é o risco, de acordo com a publicação.  


Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de colo do útero é o segundo tumor mais incidente na população feminina e quarta causa de morte de mulheres devido ao câncer no país. Isto posto, cabe reforçar a importância das visitas frequentes ao ginecologista e manutenção dos exames frequentemente e o uso da camisinha em TODAS as relações sexuais, com parceiro fixo ou não. Nos pegamos constantemente preocupados com o risco de gravidez oferecido pelo sexo desprotegidos e acabamos por não perceber que esta é a menor das ameaças. 


Assim, tendo em vista os dados expostos e que, segundo o Google, o significado para Epidemia é o “aumento do número de casos de uma doença ou de um fenômeno anormal.”, estamos presenciando a difusão silenciosa de um vírus associado a 99,7% dos casos de câncer cervical uterino e o alarde se faz mais que necessário. 

Então, vai uma camisinha ai?


Fontes bibliográficas: 

Publicação na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia “Fatores de risco e prevalência da infecção pelo HPV em pacientes de Unidades Básicas de Saúde e de um Hospital Universitário do Sul do Brasil” – http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-72032013000500007&lang=pt

Estudo POP-Brasil, Hospital Moinhos de Vento – http://iepmoinhos.com.br/pesquisa/hpv

Institudo Nacional do Câncer (Inca)  sobre câncer de colo de útero – http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/colo_utero/definicao

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