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Epidemia moderna: estamos nos tornando farmacodependentes?


A última matéria do UOL sobre saúde traz a manchete “Como a epidemia de opioides nos EUA deixa a África sofrendo de dor” aborda o impacto da dependência de opioides na população norte-americana sobre o acesso á estes produtos por parte dos africanos, visto que é grande parte do fornecimento advém da terra do Tio Sam. O assunto da farmacodependência me pareceu interessante de ser abordado, tendo em vista que todos nós conhecemos (ou somos) aquele amigo que todo dia (ou quase) toma uma Aspirina, Doril, Advil etc. Estaríamos, então, vivenciando uma nova epidemia de dependência química?


Assim, é interessante notar o tabu que circunda a abordagem de drogas ilícitas como, por exemplo, a maconha, enquanto estamos condicionados á ingestão contínua de ansiolíticos (Ritmoneuran antes de provas salvou mais alguém ai?), analgésicos (abençoado seja o Doril Enxaqueca) e anti-inflamatórios. Engraçado porque, ao dirigir a palavra aos adolescentes e condená-los pelo consumo do famoso “baseado” não nos damos conta que, mais que eles, drogados somos (ou estamos) nós. 


Uma pesquisa desenvolvida nos EUA pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), órgão do governo americano, revelou o registro de 14,8 mil óbitos devidos á overdose de analgésicos. Segundo as palavras do psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, coordenador do Programa de Orientação e Assistência a Dependentes (Proad), “Do ponto de vista científico, não há diferença entre um dependente de cocaína e um viciado em remédios que contêm anfetamina”. Assim, é preciso lembrar que remédios também são drogas e que, tal como cocaína, maconha etc, causam dependência.


Segundo o site espanhol de saúde En Genérico, os fármacos podem causar 3 principais consequências, independente de sua ação terapêutica, e são elas a tolerância, dependência e síndrome de abstinência, levando ao uso inadequados dos remédios. 


A tolerância é o efeito do uso prolongado de remédios não desenvolvidos com este propósito, culminando com a diminuição de seu efeito com a dosagem até então usada, o que, normalmente, acarreta o indivíduo ao aumento da quantidade ingerida. Quando a tolerância é solucionada com a variação da dose, a chamamos tolerância inversa. Sabe quando um só Advil já não é o suficiente para fazer a dor de cabeça ir embora? Ou duas pingadinhas do Neosoro não desentopem mais o nariz e a corisa volta em um tempo cada vez menor? Então… No entanto, quando a resistência se estende aos medicamentos similares (Doril, Aspirina, Dorflex etc), é chamada tolerância cruzada. 


Já a dependência caracteriza um estado em que o organismo adapta-se á presença de determinada dosagem para que apresente pleno desempenho de suas funções. Assim, na ausência do objeto em questão, o corpo responde com dores, desconforto e/ou ausência de prazer. A dependência pode ser psicológica ou física, logo, ou a sua mente te convence da necessidade da ingestão do remédio ou seu próprio corpo o faz. 


A dependência está intimamente relacionada á síndrome de abstinência. Por isso, quando a dependência não é suprida – com a ausência ou diminuição do suprimento do medicamento – a crise de abstinência se apresenta como um conjunto de sintomas que causam desconforto físico e mental. Usando o exemplo do vício em Advil, sem a administração do remédio poderíamos apresentar crises de enxaqueca, náuseas, entre outros. Segundo o En Genérico, “o início, duração e intensidade da tabela dependerão da substância administrada, das doses consumidas e do tempo decorrido desde a última dose.” Esse fenômeno da farmacodependência está associado á automedicação e descaso com as recomendações de consultas médicas frequentes. Apesar dos avisos, todos nós já tomamos uma Aspirina porque “é só uma dorzinha de cabeça chata”, Neosoro porque ninguém merece nariz entupido e com ele a corisa some rapidinho ou relaxante muscular para aquela dor nas costas que parece te perseguir no fim do dia. E, sem perceber, acabamos ingerindo diária ou semanalmente medicamentos que deveriam ser pontuais. Assim, os shoppings, casas e clubes abrigam mais drogados que a cracolândia e, silenciosamente, vamos deixando a situação piorar. É preciso tomar ciência da gravidade do estado atual e trabalhar em sua melhora. Portanto, não se automedique. Marca uma consulta ai, brother!!!  


Fontes:

Viciados em remédios

https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/the-new-york-times/2017/12/14/uganda-cria-solucao-inovadora-para-evitar-vicio-em-opioide-mas-teme-epidemia-ao-estilo-americano.htm

http://www.engenerico.com/

http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/3261/-1/dependencia-medicamentosa.html

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