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A nova revolta da vacina: o impacto do movimento contra imunização

Atualizado: 21 de Mar de 2018

Quando alertas para surtos de doenças como caxumba, sarampo e coqueluche são dados, associamos inconscientemente essas crises á países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. Dificilmente os Estados Unidos seriam cogitados como anfitriões de surtos de doenças de fácil prevenção. Ainda assim, atualmente o país sofre com os altos registros de tais mazelas.


Mais um exemplo claro de como a pseudociência conquista os leigos, de forma a reforçar sua situação de ignorante perante ao assunto enquanto maquia a realidade com teorias conspiratórias infundadas em conhecimento científico.


Como já abordado, o autismo é uma das doenças citadas como consequência da vacinação. Essa suposição nasceu após a publicação de um estudo do pesquisador britânico Andrew Wakefield, que relacionava a vacina Tríplice Viral (sarampo, caxumba e rubéola) ao autismo. Um tempo depois, descobriu-se que os dados do estudo haviam sido forjados e em pesquisas posteriores nenhum relação concreta foi comprovada. Apesar do descrédito científico, a teoria se difundiu em meio á população desinformada.


O movimento ganhou força e hoje encontramos muitas entidades ao longo do globo dispostas a fornecer informações dos prejuízos fisiológicos causados pela vacina. No Brasil, os grupos antivacina são impulsionados por páginas temáticas no Facebook, rede social responsável pela grande difusão da pseudociência (vide Fatos Desconhecidos).


É interessante notar que, ainda que muito se critique o lucro da indústria farmacêutica perante ás vacinas e remédios (causa muito válida), todo ato revolucionário é anulado quando, cientificamente, analisamos as consequências da carência da imunização em uma sociedade tão globalizada como a nossa. Embora o intuito do movimento seja o de proteger a si e ás pessoas a quem oferecem cuidado e preocupação, o efeito geral é o de exposição desprotegida á doenças perigosas que afetam aqueles que optaram pela não imunização e toda a comunidade que os cerca.


"Quanto aos casos de caxumba e, especialmente sarampo, penso que estão relacionados ao movimento antivacina" disse a especialista em saúde global e principal autora de um livro lançado pelo CFR que mostra os surtos de doenças evitáveis por vacinas ao redor do mundo, Laurie Garrett, á BBC. A pesquisadora observa ainda que, antes da introdução das vacinas, doenças como sarampo estavam entre as principais causas de morte de crianças nos EUA.


O problema, no entanto, não se restringe ao indivíduo que opta por não imunizar-se. Sua decisão afeta os demais que o cercam. Guido Carlos Levi, da sociedade Brasileira de Imunizações, alerta: "Imagine se 5% da população deixar de tomar a vacina a cada ano. Isso forma um nicho de pessoas suscetíveis que, caso contaminadas, podem infectar mais gente".


A vacina pode ser vista como um pacto social de erradicação de doenças. Um exemplo clássico de "uma mão lava a outra" em que, ao me proteger, estendo a proteção ao outro. Como estudante de biomedicina e amante da saúde, peço encarecidamente á todos que se cuidem e se vacinem. A dor da agulhada não é nada comparada as milhões de mortes que já prevenimos com a disponibilização da imunização. Integrem a comunidade científica de maneira á agregar, sem refutar conhecimentos de décadas com suposições infundadas.


Salvar o mundo é uma missão bem difícil mas se a gente vai juntinho, vai bem!


BIBLIOGRAFIA:

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/10/02/ciencia/1506938178_101257.html

http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,grupos-contrarios-a-vacinacao-avancam-no-pais-e-preocupam-ministerio-da-saude,70001800099

https://saude.abril.com.br/blog/cientistas-explicam/por-que-o-movimento-antivacina-nao-tem-um-pingo-de-sentido/

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