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A família viral


Em 30 de janeiro de 2020 a OMS declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional devido o surto do COVID-19, conhecido popularmente como Coronavírus.


Por popular, quero dizer que o termo “coronavírus” tem sido amplamente divulgada em manchetes e meios de comunicação diversos e por vezes, vem acompanhado da designação “o vírus da morte”. No entanto, o termo apresenta pouca especificidade, pois se refere a uma grande família viral, o CoV, que é conhecida desde meados de 1960 e tem como seu principal sintoma infecções respiratórias em humanos e animais.


Os coronavirus mais comuns são o alpha coronavírus 229E e o beta coranavírus OC43, que são responsáveis por sintomas muito parecidos com gripes comuns e afetam geralmente crianças e idosos. Alguns estudos apontam ainda, que grande parte da população se contaminará com algum desses vírus da família corona durante a vida.


No entanto, historicamente, duas variações dentro desta família já chamaram atenção mundial e contribuíram para uma imagem pouco amistosa. Primeiro, em 2002, identificado na China, o SARS-CoV se disseminou rapidamente por países da América do Norte, América do Sul, Europa e Ásia, contabilizando 8000 infectados e aproximadamente 800 mortes. Felizmente, pouco tempo depois o SARS foi controlado, e já em 2004 não havia mais nenhum caso relatado.


No ano de 2012, um novo coranavírus chamou atenção mundial, assim como o SARS, também causava infecções graves. Foi identificado inicialmente na Arábia Saudita e posteriormente em outros países da Península Arábica, sendo designado então como MERS, sigla em inglês para Síndrome Respiratória Do Oriente Médio.


Como em toda família existem semelhanças, para o virologista Eurico Arruda uma das características comuns das variações mais graves dentro dos coronavírus é a associação com animais silvestres. Assim como a SARS e a MERS, o COVID-19 que causa pneumonias severas, pode ter vindo de morcegos.


De acordo também com análises do Centro de pesquisa da China, o novo vírus é transmitido às pessoas por meio das fezes de morcegos contaminados. Ao adentrar o organismo humano, o vírus liga-se a receptores de membranas das células da mucosa respiratória, lá sofre as mais variadas adaptações e multiplica-se, podendo então infectar outras pessoas.


E por sua vez, a capacidade de infecção desse vírus se mostra muito eficiente. No último domingo, dia 16 de fevereiro, foi publicado pelo portal G1 que o número de mortos na China chegou a 1.770, sendo 70.548 o número de casos confirmados.

Esses grandes números levaram pesquisadores na Universidade de Hong Kong a investigar a taxa de infectividade – a capacidade de ser transmitido de uma pessoa infectava para outra- encontrando valores de 2,2 a 3,5.


O que, no entanto, foi surpreendente diante desse surto infeccioso que causou preocupação global, foi o auxílio da inteligência artificial. Uma empresa emergente canadense conseguiu prever a epidemia antes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças e da OMS, e fez isso apenas com um algoritmo que vasculha notícias mundiais em busca de doenças. Sua intenção inicial era conseguir avisar clientes sobre áreas de novas doenças, mas acabou ainda prevendo novas áreas de risco. A empresa conseguiu antever por onde a doença se espalharia através de dados de empresas aéreas.


Dessa forma, vemos que ainda que a situação seja alarmante e de pesar por todos os mortos, é importante olhar para as inovações e a capacidade humana de criar diante de situações emergenciais. E por isso, a ciência se mostra como o pilar essencial para o desenvolvimento e para a manutenção da humanidade. Cientistas e tecnólogos criam maneiras de prever, ver e salvar vidas e assim, nos dão esperanças de que o COVID-19 seja erradicado com a mesma eficiência que seu irmão, o SARS, em 2004.


Para finalizar, é importante que todos sigam as precauções indicadas pela Organização Mundial da Saúde para evitar o contágio:


  • Lave frequentemente as mãos com água e sabão ou com álcool em gel

  • Cubra a boca e o nariz com o braço flexionado ao espirrar ou tossir

  • Evite contato próximo com qualquer pessoa que tenha febre ou tosse

  • Procure ajuda médica se tiver febre, tosse e dificuldade para respirar e compartilhe seu histórico de viagem com profissionais da saúde

  • Evite contato direto e desprotegido com animais vivos ao visitar mercados nas áreas afetadas pelo vírus

  • Evite comer produtos de origem animal, crus ou malcozidos e tenha cuidado ao manusear carne crua, leite ou órgãos de animais, que podem conter vírus.





Fontes:

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2020/02/16/hubei-tem-mais-100-mortes-e-19-mil-novos-casos-confirmados-de-coronavirus.ghtml

https://revistapesquisa.fapesp.br/2020/02/06/analises-geneticas-indicam-morcegos-como-provavel-origem-do-novo-coronavirus/

https://revistapesquisa.fapesp.br/2020/01/31/mobilizacao-contra-o-coronavirus/

http://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-de-transmissao-respiratoria/coronavirus.html

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