Mesa Redonda I - Saúde da Mulher

Câncer de Mama

Resistência às drogas no câncer de mama: compreendendo mecanismos para identificação de novos biomarcadores e estratégias terapêuticas

     O câncer de mama é a neoplasia que apresenta a maior incidência e mortalidade entre mulheres no mundo. No país, a doença ainda se apresenta com as maiores taxas de mortalidade, principalmente devido ao diagnóstico em estádios mais avançados. O câncer de mama é uma doença altamente heterogênea, no que diz respeito aos padrões de expressão gênica interindividuais e se desenvolve a partir de uma série de alterações genéticas que afetam oncogenes e genes supressores de tumor. Apesar da combinação da quimioterapia convencional com terapias mais específicas, como os inibidores de receptores hormonais (tamoxifeno) e os anticorpos monoclonais (trastuzumabe), ter demonstrado maior eficácia no tratamento do câncer de mama, uma parcela de pacientes apresenta falha no tratamento. Essa falha pode estar associada aos mecanismos de resistência adquiridos após o início da terapia ou intrínsecos à própria célula tumoral. Diversos mecanismos estão associados à resistência aos quimioterápicos usados no tratamento do câncer de mama,dentre eles,a evasão da apoptose e a desregulação da expressão e/ou atividade dos fatores de transcrição FOX. A melhor compreensão dos mecanismos envolvidos na quimiorresistência no câncer de mama pode impactar diretamente em uma melhora na sobrevida de pacientes, a partir do desenho racional de intervenções terapêuticas mais específicas e eficazes e identificação de biomarcadores prognósticos e preditivos de resposta à quimioterapia.

Palestrante: Profª Drª Gabriela Nestal de Moraes

Graduação em Ciências Biológicas Modalidade Médica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Mestrado e Doutorado em Oncologia pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA). Realizou o seu Pós-doutorado do INCA e no Imperial College London, UK, onde atuou como Pesquisadora Visitante e estudou o papel dos fatores de transcrição Fox e de seus alvos transcricionais na contribuição do fenótipo de resistência às drogas no câncer de mama. Atualmente, é Docente do Programa de Pós-Graduação Stricto sensu em Oncologia e Pesquisadora Visitante do INCA . Integrante do Programa de Hemato-Oncologia Molecular, onde atua principalmente nos seguintes temas: resistência a múltiplas drogas em leucemias e no câncer de mama, resistência à apoptose, proteínas inibidoras da apoptose, papel dos fatores de transcrição FOX na regulação da quimiorresistência, biomarcadores de prognóstico e identificação de novos compostos com atividade antineoplásica. É fellow do programa Para Mulheres na Ciência L'Oreal/UNESCO/ABC 2017 e membro ativo da European Association for Cancer Research (EACR). Mãe de uma filha, esteve em licença maternidade durante o ano de 2016.

Câncer de Útero

Prevenção do Câncer do Colo do Útero

     O câncer do colo do útero é a principal neoplasia relacionada ao vírus HPV,e é o terceiro câncer mais comum nas mulheres brasileiras. Nesta seção serão abordados aspectos relacionados à influência do HPV na história natural do câncer do colo do útero e sobre as estratégias de prevenção.

Palestrante: Profª Drª Diama Bhadra Andrade Peixoto do Vale

Professora Doutora do Departamento de Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Divisão de Oncologia. Pós-doutorado na Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC/WHO- Lyon/FRA), Grupo de Rastreamento (2014-16). Graduação na Faculdade de Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002), Mestrado e Doutorado ela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (2010, 2013). Foi Professora Assistente do curso médico da Universidade Federal de Rondônia (2010-2013). Tem experiência na área de Medicina, atuando principalmente nos temas relacionados às Patologias do Trato Genital Inferior e Epidemiologia do Câncer Ginecológico e Mamário.

Tabu das doenças sexualmente transmissíveis

Saúde da mulher

     As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), anteriormente denominadas doenças venéreas, são muito antigas. Nos escritos cuneiformes da civilização mesopotâmica, decifrados por pesquisadores, havia referências a uma doença cuja descrição se assemelha `a da gonorréia. As infecções acompanharam a história da humanidade e foram disseminando-se pelo mundo, acompanhando os movimentos militares e acomentendo particularmete os homens jovens, soldados e marinheiros; dentre as mulheres, as profissionais do sexo eram as mais afetadas. Entretanto, na década de 50, a revolução industrial fez com que muitas pessoas migrassem do campo para as cidades; consequentemente procuraram novos contatos sexuais. Nessa época ocorreu ainda a revolução sexual e a descoberta da pílula anticoncepcional; tais fator permitiram `a mulher um maior domínio sobre sua sexualidade; mas em contrapartida, tornaram-se também mais vulneráveis `a aquisição de infecções transmistidas pelo sexo.

     Novos agentes infecciosos foram sendo descobertos, as infecções continuaram a se disseminar pelo mundo e, na atualidade, em pleno século 21, as ISTs existem em uma incidência global inaceitável: em torno de mais de um milhão são adquiridas diariamente ao redor do mundo. Algumas, como as causadas por vírus são incuráveis e , eventualmente, podem ser fatais, como por exemplo a infecção pelo HIV. Infecções bacterianas por Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae, Mycoplasmas sp podem ser curadas, se diagnosticadas e tratadas em tempo hábil e adequadamente; todavia, isso nem sempre ocorre em países desenvolvidos e raramente ocorre em paises em desenvolvimento, o que pode levar a complicações e sequelas importantes.

      Alguns agentes, como por exemplo Chlamydia trachomatis, podem causar infecções sem sintomas aparentes; assim, a pessoa não sabe que tem a infecção, portanto não procura por tratamento; mas continua disseminando a mesma para seus parceiros sexuais, além de estar sujeita `as complicacões de progressão da doenca, mesmo assintomática.

   Outra questão importante é o aumento da resistência dos agentes infecciosos aos antibióticos, dificultando sobremaneira o tratamento e possibilitando a disseminação de tais microorganismos resistentes a diversos locais do mundo.

      O impacto das ISTs na vida das pessoas acometidas é incalculável; comprometem seriamente a qualidade de vida, em seus aspectos pessoais, sociais e sexuais. Além do prejuízo econômico, podem levar `a sequelas importantes como infertilidade masculina e feminina. O câncer de colo uterino, responsável por elevado número de mortes de mulheres, é associado `a infecção pelos tipos de alto risco do Papilomavirus humano. A presença de úlceras genitais, causadas pelo virus do herpes simples ou outros microorganismos, aumenta em até 8 vezes a chance de aquisição do HIV e outros agentes. A ocorrência de ISTs durante a gestação tem efeitos deletérios sobre a mãe e concepto, podendo resultar em óbito intrauterino, prematuridade, mal formações no recém nascido, complicações maternas no puerpério, dentre outros agravos.

     Durante a apresentação serão abordados os aspectos etiológicos, clínicos e de tratamento das infecções sexualmente transmissíveis mais frequentes, particularmente em mulheres. Serão discutidos ainda os fatores biológicos, psicológicos e sociais que facilitam a maior vulnerabilidade das mesmas `a tais infecções, bem como a maior possibilidade de ocorrência de complicações e sequelas no organismo feminino.

Palestrante: Profª Drª Iara Moreno Linhares

Possui graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (1976) , doutorado em Medicina (Obstetrícia e Ginecologia) pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (1989), pós-doutorado pela Cornell University (2003-2005) e Livre Docência pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (2011). Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Ginecologia, principais linhas de pesquisa: Resposta imune nas infecções genitais recorrentes; Polimorfismos genéticos e distúrbios ginecológicos; Análise morfológica, bioquímica, imunológica, molecular e clínica do sistema reprodutivo de mulheres férteis e inférteis; Proteínas de choque térmico e afecções ginecológicas. Infecções do trato reprodutivo, polimorfismo genéticos e prematuridade.. Responsável pela criação do Ambulatório de Doenças Sexualmente Transmissíveis (1980 até presente data ) e do Setor de Imunologia, Genética e Infecções do Trato Reprodutivo da Disciplinade Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo ( inicio 2009 até presente data). Responsável pela criação e Coordenadora do Serviço de Ginecologia da CASA DA AIDS do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (início em 1985 até a presente data). Pesquisadora Associada da Weill Medical College of Cornel University (2008 até a presente data). Foi Presidente (2010-2012) e agora Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis- Regional São Paulo. Membro do corpo editorial das Revistas Patologia do Trato Genital Inferior e Jornal Brasileiro de Doenças Sexualmente Transmissíveis. Membro da Comissão Nacional de Doenças Infectocontagiosas da FEBRASGO. Membro da Cell Stress Society SCOPUS (Elsevier)

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